As cenas de guerra a que todos assistimos no campus da Universidade de São Paulo talvez possam ter tido como causa imediata a incapacidade de solucionar conflitos da reitora e de seus assessores. Mas tem como pano de fundo a utilização por funcionários e alunos da universidade de dois instrumentos que deveriam ser banidos do convívio acadêmico: o piquete e a invasão de prédios públicos. (mais…)
Lá pelo meio do primeiro semestre, eles aparecem na porta. “Podemos dar um informe?” Claro, por favor. Informem. Sorriso amarelo. Eu só estava falando bobagem, mesmo. Isso pode muito bem ficar para depois. Enquanto vocês conversam, vou tomar um gole de água. Desço até a barraquinha da pipoca, tomo uma cocacola, como um prestígio, subo à secretaria, “oi” prá todo mundo, vasculho minha pasta, abro o holerite, o resto vai pro lixo, entro no banheiro, faço xixi, olho a inacreditável cara de cinquentão no espelho, e volto para a classe trazendo comigo o mesmíssimo sorriso que levei na boca. Claro, ainda estão por lá, cantarolando com estridência a milionésima variação sobre o mesmo tema. Aquele mesmo discursozinho tosco que, quando eu tinha a idade deles, já estava com mal de Parkinson. Mais ou menos assim.
Primeiro, a terra. Não é bem um país, mas é como se fosse. O nome é uma sigla, e só uns poucos habitantes realmente vivem nele, em abrigos improvisados. O resto são transeuntes. Passageiros. Em compensação, tem território fixo, fazendo fronteira com um rio, uma favela, uma vilinha de classe média e um ponto de travestis. (mais…)